Resgatando sorrisos: grupo de idosos da UBS do Audir reintegra melhor idade em Barueri

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Envelhecer, muitas vezes, é solitário e triste. Talvez por isso o célebre Gabriel García Márquez tenha escrito que “O segredo de uma boa velhice não é outra coisa senão um pacto honrado com a solidão”. Mas essa realidade deixa de ser regra quando pessoas se unem para dedicar tempo e atenção aqueles  que muito já fizeram e tanto ainda têm a ensinar.

Foi com essa motivação que a equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vince Nemeth, do Jardim Audir, criou o Grupo de Idosos. Lá, nos encontros que ocorrem uma vez por semana, sorrisos são resgatados, muitas histórias são relembradas com doçura, amizades são construídas e, principalmente, conhecimentos são compartilhados.

Iniciativa da psicóloga Nanci Buhrer e da assistente social Alessandra Gorgonha, o grupo teve início em abril deste ano e atende a todos os idosos que quiserem participar. Cada encontro traz uma temática diferente: são informações diversas sobre saúde, bem-estar, assuntos em evidência, dinâmicas de grupo, atividades etc. Elas também tiram dúvidas trazidas pelos participantes e, muitas das vezes, os temas discutidos são sugeridos por eles mesmos.

“A gente sempre discute o quanto é importante pensar em fortalecer ações em relação ao idoso, porque o nosso país está envelhecendo. O foco do grupo é essa questão da convivência. Também trabalhamos questões sociais e emocionais, por exemplo, e tentamos intervir. Há casos que a gente leva para o atendimento individual”, esclarece Alessandra.

Xô, depressão! 

Ao se aposentarem, não é raro que muitas pessoas se sintam sozinhas e desmotivadas, tornando-se, inclusive, alvo fácil da depressão. Atento a isso, o grupo trabalha bastante a integração e o resgate da alegria de viver. “Às vezes estou em casa, com a cabeça pesada, e venho para refrescar um pouco os pensamentos”, conta José Carlos Aguiar, 56 anos, participante assíduo do grupo.

A psicóloga Nanci conta que quando indicou o grupo a José Carlos ele foi muito resistente, achava que não era o seu perfil, mas hoje é um dos principais integrantes. “Se ficar só no sofrimento psíquico a vida fica muito restrita. Tem as dificuldades que fazem parte do envelhecimento, mas acho que um espaço como este tem sido para eles um resgate de vida. As pessoas surpreendem a gente”, conta Nanci.

Castilho Gonçalves, de 61 anos, confirma a tese da psicóloga. Ele também comparece sempre aos encontros e recomenda, porque, segundo conta, lhe faz muito bem. “A gente conversa, ela passa vídeos e no final acaba um ajudando o outro. Às vezes um é mais calado e acaba se soltando mais”, diz ele, sorridente.

Nanci diz que é importante inseri-los na comunidade à qual pertencem e proporcionar mais circulação, pois ficar só dentro de casa, confinado, não faz bem ao idoso, ele precisa se relacionar. “Acho que o grupo favorece a criação desses vínculos que criam com a gente e também entre eles, você sai daquela coisa do consultório atendendo apenas um, que é importante também, tem coisa que precisa, mas o grupo favorece a saúde porque você vai pra outros lados, amplia horizontes”, esclarece a psicóloga.

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