Caminhos tortuosos

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Mais contidas, as curvas dão as caras na decoração

Para Oscar Niemeyer, um dos arquitetos brasileiros mais celebrados mundo afora, a linha reta, uma criação do homem, é a coisa mais sem graça do mundo. “O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro no curso sinuoso dos nossos rios, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, dizia o mestre. Com o arsenal de obras-primas criadas por Niemeyer com base na curva, fica difícil encontrar argumento para contestar esta afirmação.

Pois bem. Enquanto as linhas retas são estáticas, as curvas dão a sensação de movimento, de continuidade. Em um ambiente interno, isso se traduz em conforto e aconchego. A sabedoria milenar do Feng Shui concorda. Segundo a filosofia (que tem tudo a ver com decoração), formas pontiagudas geram energias agressivas, diferentemente das arredondadas, que proporcionam suavidade.

É mais do que compreensível que alguém torça o nariz para curvas na decoração. O elemento já foi vítima de excessos de toda a sorte, com seus rococós barrocos ornamentando tronos e perucas – carregados de naftalina – ou, alguns séculos mais tarde, na profusão de detalhes do art nouveau. Saindo da parte conceitual e indo para a prática, alguns materiais, como a madeira, impunham uma certa dificuldade para se trabalhar com curvas.

Isso tudo ficou para trás. Na era de transformar a casa em um templo do aconchego, com formas que se misturam e contornos difusos, a curva é uma tendência forte – de um jeito infinitamente mais sóbrio e contido, é verdade. Os tempos são de minimalismo, mente aberta – e limpa de tantos ruídos existenciais.

Vamos às dicas. Uma escada curva não é apenas uma escada. Ela, rapidinho, torna-se a grande estrela do ambiente. Já uma piscina sinuosa remete diretamente às ondas do mar – um convite a uma tarde ao sol. O sofá com silhueta esbelta, por sua vez, é um convite à soneca preguiçosa.

Na arquitetura, nem sempre a curva exige soluções mirabolantes. Uma esquadria, por exemplo, pode ser composta por vários segmentos retos, unidos com ângulos leves entre si. O resultado é um grande arco – e a curva está feita.

O caminho está traçado. Essa trajetória, porém, é cheia de desvios. Mas melhor assim – afinal, se fosse para ser um percurso previsível, usaríamos a linha reta.

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